Sexta-feira, Agosto 01, 2003
"I got dosed by you and
Closer than most to you and
What am I supposed to do
Take it away I never had it anyway
Take it away and everything will be okay" - Chili Peppers
O mês de julho passou e eu não coloquei o tal "diário de férias." Também pudera... Com tantas coisas roubando minha atenção, não havia como. Agora que tudo passou maravilhosamente bem, só me resta perguntar:
Como não sentir saudades ?
Saio de casa para ensaiar com a banda, e desde o caminho do meu quarto até o estúdio sou envolto por um mar de lembranças. As presenças da Fernanda, e principalmente da Érika, estão impregnadas em tudo oq eu faço. Ao sair do meu quarto, olho para trás e vejo a organização deixada pelas duas. Lembro da Érika "me ajudando"a dobrar minhas roupas e colocá-las no armário. Ao sair para o hall de entrada, l vejo as duas colocando seus sapatos, e mais ainda, vejo aquela tamanca de madeira da Fernanda que parecia ter sido feita com uma cadeira de churrascaria.
Sapatos em seus devidos lugares, agora desso a College Avenue rumo a Rockridge BART station. Logo ali, já sentia uma delicada mão pegando a minha. Em dias mais frios, essa pequena mão buscava abrigo no bolso do meu casaco. Olho para minha esquerda e vejo um Safeway (super-mercado), local onde um saco de cereja pode sair por 10 dólares mas que também pode ser um grande fornecedor de bolachinhas e sorvete Oreo. Ao passar pelo Safeway, avisto logo à frente o cruzamento que mostrou para a Lindinha e para a Fernanda o porquê da Bay Area ser a capital mundial do homossexualismo. Bastava a gente parar ali para atravessar que um casal lésbico se aproximava. Do outro lado do cruzamento, posso perceber nossas presenças e ouvir nossas gargalhadas dentro do Diner Claremont. Tudo porque deixamos a risória gorjeta de 30 centávos após consumirmos apenas uma porção de fritas.
Segurando a emoção e apertando o passo, tenho ao meu lado esquerdo uma sequência de lojas terríveis, mas que pelo menos seduziram alguém. Depois da tamanca de madeira, não seria estranho que a Fernanda gostasse das sandálias na vitrine da lojinha. Do lado direito, avisto a sorveteria Dreyer's, ponto de algumas descobertas agradáveis (sorvete de Snickers) e outras nem tanto (sorvete de Cranberry), mas que no final servia apenas como um grande pretexto para curtirmos nossas companhias mutuamente.
São tantos momentos em tão poucos metros, que acho que vou olhar para o chão... assim evito que minhas emoções transbordem. Entretanto, ao tentar me desvencilhar de tantas lembranças, meus olhos vão de encontro as placas dos carros, e com isso, a brincadeira que ensinei para a Érika vem à tona. Tomei uma lavada, 18 a 3, na competição que consiste de dar tapinhas no outro assim que uma placa de outro estado é identificada.
Eu sei, é dificíl tentar se esconder de tantas coisas. Vou acelerar o passo, mas assim que viro um pouco a cabeça para o lado direito, o Barney's Burguer, aquele para o qual nos deslocamos após irmos ao cinema e descobrimos o Milkshake de Cookies, serve como um grande aviso de que as coisas não serão fáceis.
A Rockridge está próxima, mas ainda há tempo para avistar uma Taqueria, e reviver a noite em que as duas descobriram que um Burrito é uma coisa mais densa do que uma bomba de Hidrogênio. Tive o mérito, ao menos, de não deixar elas comerem comida Chicana. A Rockridge, apesar de ser apenas uma estação do BART, é um templo de lembranças. Como não lembrar que a Érika, um degrau acima do meu na escada rolante, ficava da minha altura e poderia ficar cara a cara comigo sem levantar a cabeça? Como não lembrar das epopéias para comprar os tickets? Como não lembrar da Ërika encostando-se em mim a espera pelo trem? Mais ainda, como não lembrar da Fernanda explodindo uma cereja com os dentes e manchando as camisetas brancas de todo mundo?!?!
O BART chega e dentro dele mais lembranças: O vagão super-aquecido, o medo da Érika de trocar de vagão com o trem em movimento, o cara que perdeu a carteira e me rendeu uma boa ação, o tagarela que me ensinou que Sam "sei lá oq" foi quarterback dos anos 60 de sei lá que time, a Érika deitada no meu ombro com cara de sono, os vários trens perdidos...
Descendo na Montgomery station, já em San Francisco, impossível não reviver as milhares e cansativas andanças pela Market Street, que sempre nos levavam a lojas, desde as de grife até as de bugigangas. Falando em andança, impossível não aderir a mania da Érika de desviar de qualquer grade que esteja pelo chão, tendo em vista que as ruas de San Francisco são infestadas desse tipo de coisa.
Dobro a Market na Third Street, e do lado direito avisto o imponente hotel The Argent (dinheiro em francês, segundo minhas queridas). Posso estar a pé nessa minha ida ao estúdio, mas as limos em frente ao the Argent remetem-me ao dia 11 de julho de 2003, dia no qual, para espanto da Érika e principalmente da Fernanda, fui buscá-las de limo no aeroporto
O cruzamento da Mission com a Terceira é fatal. De um lado encontra-se o MoMA, museu de arte moderna onde pudemos acompanhar a ótima exposição do Phillip Guston. Do outro encontra-se o jardim do Metreon (shopping de coisas tecnológicas), local onde passamos uma gostosa tarde de domingo deitados na grama. Claro que eu me lembro da Fernanda tirando cravos da minha cara enquanto eu estava deitado no colo da Érika. Resultado: tinha americano passando por nós e achando que nós eramos um trio, se é que vcs me entendem. O sorriso sempre vem ao canto da boca ao rememorar isso...
Estou quase no estúdio. Basta passar pelo cruzamento com a Folsom, onde no lado esquerdo encontra-se o chique bar W, e entrar a esquerda na Harrison. Dentro do estúdio, como olhar para a cadeira do lado do meu amplificador e não visualisar a Érika? Ora com cara de sono, ora empolgada lá estava ela. Isso sem falar nas ocasiões em que eu a olhava e percebia que ela estava me encarando de uma forma, hã, viríl... Como tocar Film Noir, Collide e Shut Eye sem pensar nas carinhas empolgadas das duas ??? Como não sentir falta do colo que a Érika me dava nos curtos intervalos dos ensaios??? Ou então das vezes em que ela me abraçava lá fora ???
Na volta para casa ainda me lembro das longas esperas pelo BART no qual a Érika ficava no meu colo. Normalmente pegávamos o trem das 11:56 da noite, mas apoiada por um adiantado relógio, a Érika insistia em dizer que ficaríamos em San Francisco até meia-noite e meia. Claro não posso esquecer do poder de atração que exerço sobre todo tipo de freak, e do dia em que a Érika conseguiu surrupiar 1 dólar da máquina de tickets do BART. Tudo isso took place na volta para casa...
Num trajeto, da minha casa até o estúdio, que dura pouco mais de 40 minutos sou capaz de invocar mtas ótimas lembranças, oq dirá então das outras tantas coisas que faço aqui? Eu pergunto, como não sentir saudades???
ps: Essa é pra vc Érika: nesse exato momento a Sarah e a Júlia estão cantando e dançando a música do polvo que vc ensinou para elas.... Vc tinha que ver
Nós na neve
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Quinta-feira, Julho 31, 2003
"I am everything you wanted
I am everything you need" - Longwave
Saudade.....

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