Sábado, Janeiro 19, 2008
Sobre Pitty
A primeira vez que ouvi falar da Pitty, a cantora baiana que esta longe da imagem fanfarrona de seus conterraneos, foi em 2003 (ou seria 04 ?). Uma amiga me reportava via ICQ a apresentacao de uma cantora “bizarra” que cuspia o poetico refrao “mesmo que seja bizarro.” Era tanta bizarrice, que eu nao poderia ter impressao diferente. A moca, de fato, era bizarra.
A primeira vez que ouvi o som da baiana bizarra aconteceu muitos meses depois e para minha surpresa nao detestei. Claro, nao falei para ninguem. Eu tenho muitas escorregadas por cancoes das estacoes FM brasileiras que nao revelo nem para o mais confidente dos amigos. E aos poucos, a cada single, eu percebi que era possivel ouvir esse som. Por isso, merece uma reflexao.
Pitty esta longe de salvar o rock nacional, com suas tentativas de emular bandas gringas. Ora ela soa como Foo Fighters. Ora parece copiar a receita de baixo distorcido e sincopado do Queens of the Stone Age. E por muitas vezes, ela exagera nas influencias de metal de suas guitarras. O fato e que Pitty so explodiu no mainstream porque sua gravadora apostava num Evanecense nacional, a febre do momento entre a molecada, e uma menina roqueira com um toque de aparencia gotica era o que bastava.
Mas som dela esta, gracas a deus, esta longe da roupagem gotica comercial dos gordos do Evanecense.
Pitty tem um som mais basico, rockao solido, sem muito foco. Ao mesmo tempo que ela parece caber em varios rotulos, ela parece nao pertencer a nenhum. Nao de uma maneira muito original. O que contorna a falta de foco, ou espirito quase cru em termos criativos, do seu rock sao as melodias. A cantora tem uma capacidade incrivel para criar refroes que ficam na cabeca, ao estilo hino para cantar de punho cerrado. As estrofes dela se encaixam de maneira perfeita aos seus refroes, como proteina com proteina, tornando suas cancoes memoraveis apesar de forcar a barra na maioria das letras. Talvez seja por isso que ela e uma das poucas bandas de rock nacional a ainda emplacar singles nas FM brasileiras, uma tarefa cada vez mais dificil para quem se arrisca nesse tipo de som no Brasil. Pitty e a pessoa que tem as guitarras mais barulhentas no dial brasileiro desde que o Raimundos sumiu do mapa. E nao me venham falar das bandas emo, porque as guitarras dele sao tao raquiticas que parecem pedir transfusao de sangue.
A Pitty e tao rock que, como dizem os puristas, nao consegue pensar alem do terceiro acorde. Isso fica evidenciado nos arranjos capengas das musicas. Apesar das estrofes seguidas de bons refraos, o calcanhar de aquiles da moca sao as famosas “bridges,” aquela parte de transicao que toda cancao pop tem que ter. No caso da Pitty, as transicoes sao murchas, parecem rascunhos muito mal acabados e que de certa maneira arrefecem todo o climax criados anteriormente. Da vontade de desligar o radio cada vez que suas musicas chegam as transicoes. Fica um sentimento ruim. Tipo, discutir relacionamento depois de uma noite louca de amor. Po, minha filha, nao estraga.
Pitty, depois de muitos anos, posso afirmar: voce e bonitinha mas ordinaria! Arruma essas pontes! De resto ta acima da media brasilis.
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